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Viver é como
andar de bicicleta!
Ao longo da vida, certas coisas que aprendemos nunca
mais serão esquecidas, como por exemplo, andar de
bicicleta. Lembro-me como se fosse hoje quando consegui
dar as primeiras pedaladas sem aquelas rodinhas
auxiliares. Senti-me um grande homem no alto da
minha primeira década de vida. Recordo que essa
conquista foi um processo lento e cuidadoso. Contei com
a ajuda do meu pai, que aos poucos me ensinou a “andar
sozinho”. Tirou uma rodinha, depois a outra... eu ia
pedalando e ele correndo atrás de mim segurando pelo
banco para que eu aprendesse a ter equilíbrio e dar
minhas pedaladas. Como foi bom quando olhei para trás e
vi que ele não me segurava mais, que havia conseguido!
Mas ao mesmo tempo senti medo, pela ausência do cuidado
das mãos de meu pai. Que mistura de sentimentos. Mas
eu sabia que aquelas mãos sempre estariam por perto
quando eu precisasse.
Logo depois disso, vieram as primeiras voltinhas ao
longo da rua de asfalto novo. Vieram também os primeiros
esfolados nos joelhos, e eu estava certo, aquelas mãos
estavam perto para cuidar dos esfolados. Como ardia
aquele mertiolate! Em seguida comecei as primeiras
visitas a bicicletaria para trocar os pneus furados.
Homenzinho orgulhoso, que sentia-se realizado... tomado
pela idéia de que conquistaria grandes coisas, somente
pelo fato de já não precisar mais daquelas rodinhas.
Hoje, nesse momento, sinto-me invadido pelo mesmo
sentimento de anos atrás. O sentimento de estar dando as
primeiras pedaladas. As mãos que me seguravam outrora,
já não me tocam mais. Hoje conto com outras mãos, que me
seguram e me ajudam a pedalar por uma rua, não de
asfalto novo, mas cheia de buracos, que vou conseguir
contornar por lembrar-me de que sou capaz, por
lembrar-me que um dia me ensinaram a andar sozinho.
Essas mãos que hoje me seguram em cima da bicicleta,
assim como as primeiras que me seguraram, são dignas do meu
carinho e do meu amor. Sei que quando eu conseguir, elas
me deixarão pedalar sozinho. Me deixarão sentir o
vento batendo no rosto e bagunçando os cabelos. Quando
olhar para trás e ver que essas mãos já me deixaram
seguir , já não vou sentir a ausência, pois sei que na
primeira queda que eu vier a sofrer, essas mãos cuidarão
das minhas feridas. E hoje em dia, mertiolate
nem arde
tanto assim!
E você? Que tal hoje ousar começar a dar suas primeiras
pedaladas? Sinta-se novamente aquela criança que ousou
experimentar o novo. Conte comigo.
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