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Tempo bom ou ruim?

 

Um dia escutei uma frase que me chamou muito a atenção: “nossa vida é como o tempo, um dia está todo nublado e outro dia está todo ensolarado”.

É interessante! Se observarmos bem, é isso mesmo.

Tem dias que acordamos com o mundo caindo sobre nós. Problemas, gente pegando no pé, patrão enchendo o saco, seu cachorro fazendo a maior bagunça (fazendo ‘arte’ por todo o quintal), dor nas costas por causa do colchão e até mesmo o telefone tocando cedinho dando a notícia da morte de alguém. Esses são os dias em que o ‘tempo está fechado’ na nossa vida. Está tudo escuro, nublado e chovendo.

Não fique nervoso e nem vá pescar. Lembre-se que o sol sempre aparece depois de um dia assim. As nuvens nunca ficam eternamente e nem chove por muito tempo. O sol brilhará novamente.

Uma coisa é importante sabermos: as coisas quase sempre não acontecem como nós gostaríamos que acontecessem. Talvez, se enxergássemos de outra forma, mudássemos nossa opinião em relação às coisas que acontecem.

Tem uma historinha que diz mais ou menos assim:

 Havia, numa cidade, três pequenas árvores que sonhavam o que seriam depois de grandes.

A primeira, olhando as estrelas, disse: "Eu quero ser o baú mais precioso do mundo, cheio de tesouros. Para tal até me disponho a ser cortada".

A segunda olhou para o riacho e suspirou. "Eu quero ser um grande navio para transportar reis e rainhas".

A terceira olhou o vale e disse. "Quero ficar aqui no alto da montanha e crescer tanto que as pessoas, ao olharem para mim, levantem seus olhos e pensem em Deus".

Muitos anos se passaram e certo dia vieram três lenhadores, que cortaram as três árvores, todas ansiosas em serem transformadas naquilo que sonhavam. Mas lenhadores não costumam ouvir e nem entender sonhos.

Que pena!

A primeira árvore acabou sendo transformada num cocho de animais, coberto de feno. A segunda árvore virou um pequeno barco de pesca, carregando pessoas e peixes todos os dias. E a terceira árvore, mesmo sonhando em ficar no alto da montanha, acabou cortada em grossas vigas que ficaram de lado num depósito.

E todas as três perguntaram-se, tristes: "Por que tem que ser assim?"

Mas numa noite cheia de luzes e de estrelas, onde havia mil melodias no ar, uma jovem mulher colocou seu neném recém-nascido naquele cocho de animais. E de repente, a primeira árvore percebeu que continha o maior tesouro que a humanidade pode receber.

A segunda árvore, anos mais tarde, acabou transportando um homem de olhos claros de luz, que, certa vez, viajando com seus amigos, ao acordar, disse ao mar revolto: "Sossegai". O mar obedeceu e num relance a segunda árvore entendeu que estava carregando o rei de todos os reinos da terra.

Tempos mais tarde, num dia conturbado e triste, a terceira árvore espantou-se quando suas vigas foram unidas em forma de cruz e um homem foi pregado nela, pois fora condenado à morte, embora inocente.

Logo sentiu-se horrível e cruel, mas três dias depois o mundo vibrou de alegria e esperança. Então a terceira árvore entendeu que o homem havia sido pregado nela para a redenção da humanidade e que as pessoas se lembrariam de Deus e de seu filho, o Cristo, ao olharem para ela.

As árvores tinham seus sonhos, mas os fins foram mil vezes melhores e muito mais sábias do que elas haviam aspirado.

 Precisamos entender que em nossa vida sempre haverá ‘tempos ruins’ e muitas vezes as coisas não acontecerão da forma que gostaríamos. Precisamos, sim, enfrentá-las de formas e maneiras diferentes.

Muitas vezes olhamos o tempo ruim se instalar por alguns dias, mas esquecemos a maravilha dos outros dias (que são os mais duradouros) em que o sol está lá fora, brilhando quente e forte.

 

Luciano Bianchini
Pedagogo, diagramador do jornal observador, 32 anos, casado.
lupiraju@hotmail.com
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