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A ‘sombra da noite’, a solidão

 

Será que existe algum ser nesse mundo que nunca sentiu solidão? Quem de nós já não derramou lágrimas e mais lágrimas nela? Quantos não conseguiram enfrentá-la e acabou afundando nela? E pior ainda, quem já não se sentiu sozinho no meio de várias pessoas, numa festa ou outro lugar ?

Essa palavra sempre vagou pela história como um enorme ‘monstro do lago negro’.

Quantos não rezam dia e noite para que a solidão nunca bata a sua porta, muito menos entre e ceie com ele?

Quantos adolescentes e jovens fazem barbaridades, coisas que muitas vezes não gostariam de fazer para não ficarem e não se sentirem sozinhos. Quantos não entram no caminho das drogas e de outras coisas mais para se juntarem a um grupo e não ficarem solitários.

Solidão, no dicionário, significa: (lat solitudine) condição, estado de quem está desacompanhado ou só.

Realmente, é muito difícil sentar ao lado e ‘trocar idéias’ com a solidão.

Existem algumas frases curiosas sobre o assunto, vejamos:

“Se você se sente só, é porque ergueu muros em vez de pontes” (William Shakespeare); “A solidão é a sorte de todos os espíritos excepcionais”, (Arthur Schopenhauer); “Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite” (Clarisse Lispector); “A gente foge da solidão quando tem medo dos próprios pensamentos” (Érico Veríssimo); “Solidão: um lugar bom de visitar uma vez ou outra, mas ruim de adotar como morada” (Josh Billings).

Percebemos que existem diversas opiniões a respeito do tema. Alguns abominam, outros a encaram como algo fundamental.

E você? O que pensa a respeito?

Como você vive a solidão ou na solidão? Qual seu comportamento diante da ‘sombra da noite’?

Acredito que ela tem o seu lado positivo, quando é vivida da maneira correta, como, por exemplo, na reflexão ou na oração.

Não podemos usar da solidão para afundarmos na tristeza e depressão. Uma das dicas para quem é depressivo é sair do isolamento. E tem até aqueles que gostam de curtir uma ‘fossa’, sozinhos, sofrendo por um grande amor.

A escolha é sempre sua!

Para encerrar, gostaria de deixar um poema, com as palavras sempre interessantes de Vinícius de Moraes:

“A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre”.

 

Luciano Bianchini
Pedagogo, diagramador do jornal observador, 31 anos, casado.
lupiraju@hotmail.com
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