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Posso
perguntar: cadê aquele sorriso?
Essa é a história de um
sorriso, que vivia numa cidadezinha do interior
paulista. Era um sorriso maroto, grande, divertido que
contagiava quem o encontrava. Sorriso belo, sorriso que
por onde passava conquistava, sorriso que não era uma
ilha solitária, mas que gostava de fazer um arquipélago.
Sorriso que não permitia ver uma alma entristecida e nem
abatida, mas que sorria até ver um outro sorriso.
Sorriso amigo, sorriso companheiro, sorriso alegre,
sorriso abrigo. Sorriso que tinha tudo, sorriso
completo.
Certo dia, a primavera
passou, tal como o verão e o outono: chegou o inverno!
E então comecei a perguntar:
cadê aquele sorriso?
Sorriso que começou a se
esfumaçar e embaralhar, sorriso que começou a perder o
formato de sorriso, deixando espaço para a escuridão da
tristeza.
Então eu volto a perguntar:
cadê aquele sorriso?
Sorriso que aos poucos e de
maneira ligeira foi perdendo o motivo de ser sorriso.
Personagens que foram através do percurso “amarelando” o
sorriso, deixando-o com diversas interrogações em seu
pensamento.
Ainda eu insisto em
perguntar: cadê aquele sorriso?
Sorriso que começou a
aparecer de forma confusa e atrapalhada. Sorriso que só
aparecia agora entre lágrimas e desespero.
E eu pergunto: cadê aquele
sorriso?
Sorriso, que como Jô,
começou a perder tudo, principalmente pessoas que tinham
um significado e uma amizade muito especial. Pessoas que
conviviam como um rio, continuamente com o sorriso.
Mas eu pergunto: cadê aquele
sorriso?
Escuridão, caminhos
fechados, dúvidas ao monte, esperança limitada e o
sorriso se entregando.
E de novo eu quero
perguntar: cadê aquele sorriso?
Sorriso que todos querem ver
de volta, sorriso que faz falta, sorriso que foi
especialmente criado por Deus para fazer sorrir. Sorriso
que é amado por todos, sorriso que tem amigos e que pode
contar com eles. Sorriso que precisa levantar a cabeça e
vencer as barreiras. Sorriso que precisa chorar o que
for preciso, mas com a certeza que é ainda sorriso.
Sorriso que vai sorrir não para esconder o coração
ferido e machucado, mas como um grito de vitória.
E agora?
Agora não vou mais
perguntar: cadê aquele sorriso?
Mas pedir: sorriso, sorri!
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Luciano
Bianchini
Pedagogo, diagramador do jornal
observador, 32 anos, casado.
lupiraju@hotmail.com
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