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A história de Chuvisco e
Mimosa
Muuuuuuuuuuu.
Boa tarde Chuvisco, como você está?
É isso
aí Mimosa, estou como sempre, solitário e pra baixo.
Minhas pernas doem muito, não consigo levantar para
andar e caminhar pelos campos. Tenho que ficar aqui
fechado nessa gruta à mercê de tudo e de todos. E você,
chegando cedo depois de um dia inteiro se deliciando dos
capins verdinhos e saborosos?
Pois é
Chuvisco, nos tiraram de lá cedo, não entendi muito o
porquê. Ouvi uma conversa que hoje é a festa do ‘deus
sol’ e todos estavam se aprontando para celebrar. Nem
sabia que o sol era deus e muito menos que tinha festa.
Pensei que ele só servia para esquentar esses dias frios
que estamos vivendo, mas tá bom também, esses humanos
tem cada uma ... Mas mudando de papo, já te disse que
precisa parar de reclamar da vida. Tá certo que você
perdeu seus parentes o ano passado e está com alguns
problemas nas pernas, mas sua reclamação não vai curar
suas dores e muito menos trazer seus entes queridos de
volta, muito pelo contrário, vai piorar a situação. Bola
pra frente, não ouviu dizer que o otimismo faz bem até
pro corpo, imagine o que ele pode fazer com a alma.
É
Mimosa, às vezes acho que você tem razão. Bem que podia
acontecer algo de bom pra nós hoje, hein?
... E a
noite chegou!
Chuvisco, acho que tá vindo alguém? Parece que é um
homem e uma mulher grávida. Estão vindo para cá!
Só
faltava essa agora! Já não basta esta história de festa
pro sol, agora vão querer lotar o nosso cantinho aqui.
Tá certo que está frio, mas não quero ninguém grudado em
mim agora, Mimosa.
Fica
quieto, Chuvisco, a mulher não está passando muito bem,
parece que o neném vai nascer agora.
Mas
aqui, Mimosa? Aqui não tem condições nenhuma para um
humano nascer. Está sujo, fedendo e esse frio que chega
até doer. Será que não tinha outro lugar para eles
ficarem?
Fica
quieto, Chuvisco vamos escutar o que eles estão falando.
- Ai!
José, vamos ficar aqui mesmo. Procuramos a noite inteira
um lugar, mas ninguém quis nos acolher. Que Deus nos
perdoe por deixar o seu filho nascer aqui nessa gruta,
nessas condições.
Você
escutou, Mimosa, ou eu não entendi direito? Essa mulher
falou que o filho que vai nascer é de Deus? Mas como
isso? O filho de Deus vai nascer e ter que ficar no
nosso cocho de comida? Ele não deveria nascer em um
palácio com cobertores e um lugar protegido?
Cala a
boca, Chuvisco, está nascendo! Veja! Que luz é aquela?
Está tão forte que não dá nem pra ver? Que coisa mais
linda, nunca vi isso em nenhum lugar dessa terra.
Mimosa,
estou sentindo algo que nunca senti antes. Uma paz tão
grande. Uma alegria que não sentia há tempos. Estou
sentindo também algo em minhas pernas. Parece que está
queimando.
Chuvisco! Você está de pé! É um milagre! O filho de Deus
nasceu e curou suas pernas.
É
Mimosa, não foram só as pernas que ele curou, mas meu
coração também. A alegria que estou sentindo não está
cabendo mais dentro de mim. Preciso trazê-la para fora e
levá-la aos nossos amigos e amigas da redondeza. Vamos,
Mimosa! Temos que contar para os outros o acontecido
desta noite. Essa data nunca mais será a mesma, pois
nasceu o filho de Deus para curar e trazer paz e alegria
para todos.
Feliz
nascimento, Chuvisco, Feliz Natal!
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Luciano
Bianchini
Pedagogo, diagramador do jornal
observador, casado.
lupiraju@hotmail.com
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