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“Homo homini lupus”

 

Durante os poucos tempos da minha vida, observando a sociedade atual, me vem na cabeça uma expressão que aprendi quando cursei a faculdade: “Homo homini lupus”, o homem é o lobo do homem. Thomas Hobbes pronunciou essa frase, descrevendo uma situação do Estado, como o homem se comportava socialmente. Para ele, a individualidade e o passar por cima dos outros é algo instintivo do ser humano, ou seja, quem pode mais, chora menos.

Nicolau Maquiavel, em sua obra “O Príncipe” afirma algo que pode ter certa ligação com Hobbes. Dizia ele que para o príncipe dominar e se manter no império teria que fazer alguns aliados entre os nobres e agradar a massa com coisas que ela gosta. Teria também que agir um pouco com falsidade, como por exemplo, ser cristão com quem era cristão, para conseguir se aliar a eles.

Era mais ou menos isso o pensamento deles em questão de sociedade. É claro que isso é apenas uma parte bem resumida dos conceitos deles.

Acredito que vivemos um pouco disso hoje em dia.

A política, o mercado de trabalho e até mesmo as relações afetivas são um verdadeiro salve-se quem puder. As pessoas fazem de tudo para “subir na vida” e ficarem estáveis, mesmo que para isso seja necessária a destruição do seu semelhante.

Parece que as idéias dos pensadores dos séculos XV e XVI ainda estão presentes em nosso meio. O ser humano não consegue respeitar-se socialmente. Vive a lei da selva e dos animais, onde o mais forte ou o mais inteligente vence. O homem não pensa mais no outro. É cada um por si e Deus pra todos.

Tem um conto que diz: Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali. Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado.

Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos:

- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa !!

A galinha disse:

- Desculpe-me, sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.

O rato foi até o porco e disse:

- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira !

- Desculpe-me sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranqüilo que você será lembrado nas minhas orações.

O rato dirigiu-se à vaca. E ela lhe disse:

- O que? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!

Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira. E naquela noite ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima.

A mulher do fazendeiro correu para ver.

No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher. O fazendeiro levou-a  imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre.

Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal.

Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la.

Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.

A mulher não melhorou e acabou morrendo.

Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.

É bem assim que acontece na nossa realidade. Não estamos nem aí para os outros. Se o problema não é conosco, paciência. Parece que não vemos mais a bondade e o respeito que os mais antigos tinham.

O homem se transformou num ser egoísta, prepotente e que se acha o todo poderoso. O pior é que tem gente que pensa que pode ir pisando e humilhando os outros só porque tem um cargo ou uma condição financeira e intelectual melhor.

Quantas injustiças, trapaças e jogo de interesses?

Não podemos sair por aí, pensando que somos os bam-bam-bam do mundo e dominar os outros, como se fossem escravos nossos. O outro é um ser humano como nós e que precisa ser respeitado e amado. Precisamos tratar as pessoas como se fossem a nós mesmos.

Lembrem-se da ratoeira. Ela sempre chega perto de nós.

 

Luciano Bianchini
Pedagogo, diagramador do jornal observador, 31 anos, casado.
lupiraju@hotmail.com
 

 

 

 

 

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